sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Novo, todo novo.


Malu fechou os olhos. Ouviu o barulho dos fogos de artifício, respirou fundo e imaginou as luzes brilhando no céu. Sentiu a brisa fria que batia no seu rosto e acordou de leve, com as pessoas em volta desejando “Feliz Ano Novo”.  Sorriu distraída e, por um momento, pousou seu pensamento onde estava.
Piscou e, abrindo os olhos, teve a impressão de estar realmente acordando no ano novo. Novo. Um ano novo em folha pela frente. O que isso significava? Apenas mais uma quantidade padrão de dias que haviam se passado?
Malu, enquanto sorria para as pessoas que lhe cumprimentavam, pensava nisso. Não queria aceitar que este novo ano que se apresentava, acolhido por tantos fogos e luzes, fosse apenas mais um. Afinal, como pode ser um ano novo se for apenas mais um ano? Estava cansada de repetir sempre os mesmos propósitos sem sequer estar disposta a cumpri-los. Enquanto sorria para os convidados na varanda e para os vizinhos, refletia sobre as decisões que realmente estava disposta a tomar.
A rua ia esvaziando, mas a cabeça de Malu se enchia de pensamentos. Neste ano novo que se aproximava, passaria mais tempo em casa. Menos horas extras, menos compras desnecessárias e menos bate-papos até tarde. Dedicaria mais tempo para os filhos e para o marido, cozinharia mais, convidaria mais seus parentes e amigos para visitá-la. Também queria voltar a tocar violão, cantar mais e dançar. Ir a todas as reuniões de pais e mestres de suas crianças e fazer-se mais presente. Estressar-se menos, não pensar demais. Nesse ano que se iniciava, Malu queria viver mais o presente; vivera todo esse ano que se acabava em função do que começava agora. Seu principal propósito para o ano novo era então este: fazer valer a pena. Viver o ano novo, sem deixar para depois.

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