terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A cidade


A cidade era pequena. A cidade era viva. Viva como o fogo, como a água que corre.
A cidadezinha era simples, sem grandes prédios nem grandes eventos que pudessem chamar a atenção. Poucas escolas, uns dois ou três médicos, algumas lojas e mercadinhos. Mas era interessante, tão interessante para quem a visse com os olhos da poesia!
Cheia de sol entrando pelas janelas, chuva molhando a calçada. Moças sorridentes passando pelas praças, crianças travessas brincando nas ruas. Banhada pela energia dos trabalhadores no centro, abrindo lojas de roupa, bancas de frutas e varrendo as ruas. Sem quase nenhuma poluição que impedisse o ar puro de se espalhar, trazendo frescor à luz e à sombra.
Não havia ali nenhuma celebridade, nem a correria das cidades grandes. Cheia da tranquilidade dos povoados antigos e da amizade entre vizinhos – que hoje já é uma relíquia. Guarda em si a paz do campo e a alegria de ser viva, e parecer viva. Embora não acontecesse lá grande coisa que chamasse a atenção ou virasse assunto para muita gente, era cheia de cor e de assuntos cotidianos que enchiam os dias.
Cheia de jovens sonhadores e de velhos contadores de histórias. Algumas mães lacrimosas na rodoviária. Cada pessoa tão diferente da outra, e caberiam todos numa única igreja aos domingos, na missa. Alguns cachorros que circulavam livremente, uns gatos que subiam nos telhados, um ou outro pássaro para cantar quando o dia amanhecesse.
A cidade pequena, cheia de vida, cheia de cor! Tão vazia de modernidades, tão cheia de nostalgia. Tão alegre, tão única, sem ter nada de especial. Talvez por isso fosse assim, tão especial para quem quer que a conhecesse.

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