A cidade era pequena. A cidade era viva. Viva como o fogo,
como a água que corre.
A cidadezinha era simples, sem grandes prédios nem grandes
eventos que pudessem chamar a atenção. Poucas escolas, uns dois ou três
médicos, algumas lojas e mercadinhos. Mas era interessante, tão interessante
para quem a visse com os olhos da poesia!
Cheia de sol entrando pelas janelas, chuva molhando a
calçada. Moças sorridentes passando pelas praças, crianças travessas brincando
nas ruas. Banhada pela energia dos trabalhadores no centro, abrindo lojas de
roupa, bancas de frutas e varrendo as ruas. Sem quase nenhuma poluição que
impedisse o ar puro de se espalhar, trazendo frescor à luz e à sombra.
Não havia ali nenhuma celebridade, nem a correria das cidades
grandes. Cheia da tranquilidade dos povoados antigos e da amizade entre
vizinhos – que hoje já é uma relíquia. Guarda em si a paz do campo e a alegria
de ser viva, e parecer viva. Embora não acontecesse lá grande coisa que
chamasse a atenção ou virasse assunto para muita gente, era cheia de cor e de
assuntos cotidianos que enchiam os dias.
Cheia de jovens sonhadores e de velhos contadores de
histórias. Algumas mães lacrimosas na rodoviária. Cada pessoa tão diferente da
outra, e caberiam todos numa única igreja aos domingos, na missa. Alguns
cachorros que circulavam livremente, uns gatos que subiam nos telhados, um ou
outro pássaro para cantar quando o dia amanhecesse.
A cidade pequena, cheia de vida, cheia de cor! Tão vazia de
modernidades, tão cheia de nostalgia. Tão alegre, tão única, sem ter nada de
especial. Talvez por isso fosse assim, tão especial para quem quer que a
conhecesse.
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