É por isso que eu gosto de matemática.
A matemática não precisa ser entendida. Ela é explicada, ela é verdadeira, ela não falha. Não tem exceções, não tem excessos; não é confusa, não tem duplos sentidos. Ela simplesmente é.
Se divido um número por 2 ou o multiplico por 1/2, indiferente; o resultado será sempre o mesmo. Não existe outro ponto de vista, outra coisa a ser compreendida. Se entendemos a matemática uma vez, a entenderemos para sempre. Ela não muda; talvez cresça, mas não perde nada que já tinha. Ela é eterna.
É engraçado quando não entendem matemática. Ela é exata, e o que estudamos hoje na sala de aula é o que já foi dito há centenas, milhares de anos. Ela é simples, ela flui; tem detalhes, mas não há nada nas entrelinhas. Ela é o que diz ser. É transparente, e clara como cristal.
Ah!, como a matemática é diferente do ser humano! O ser humano, tão instável, tão subjetivo. Um homem tem que estudar a fundo o outro, do contrário não se compreendem... e, mesmo sabendo disso, não se estudam. Deixam-se sem compreender. Fecham-se em si mesmos, não se dividem nem se expõem. Os homens, tão complexos, tão profundos e tão divisíveis... Tão cheios de ambiguidades, cheios de detalhes obscuros e escondidos. Uma palavra humana, quantas coisas pode significar!
Uma única palavra pode sorrir ou chorar, dependendo de seu humor. Uma mesma palavra pode ser tão clara quanto a água, ou tão cheia de segredos quanto uma pérola. O ser humano, quantas palavras criou para se explicar... e ainda assim parece não conseguir se exprimir com clareza! Quantas palavras, quantas franquezas, quantas inverdades terá o ser humano dito em alguns milênios de existência? Quantas observações, quantas descobertas terão algumas palavras presenciado?
Sei que tais impressões são subjetivas; talvez nem todos me entendam. Mas sei que as palavras me entendem. É por isso que gosto das letras.
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