Algo que nenhum aluno entende em aulas de redação é o porquê de as professoras sempre usarem o exemplo do tombo na rua para explicar como funciona uma crônica. Sim, todas as minhas professoras de redação, ao explicar sobre crônicas, dizem que é como relatar, com humor, o seu último tombo no meio da rua.
Aliás, quedas na calçada nem mesmo são um bom assunto para crônicas, na minha opinião. É claro que é constrangedor o modo como algumas pessoas são sensíveis à gravidade e de repente sentem uma enorme atração pelo chão sobre o qual andam, e esse fato atrapalha o trânsito de muitos pedestres e, talvez, até o dos motoristas. Mas será que tais indivíduos merecem o holofote de um texto?
Como já disse, não é nada agradável quando se está andando equilibradamente em alguma rua levemente esburacada, e algum desavisado tropeça bem na sua frente. Mesmo quando o tombo em si não se torna um obstáculo para o caminho, o dever de verificar se o acidentado está bem é um motivo que nos obriga a parar por alguns segundos, por pura educação e conhecimento das leis sociais. Ao mesmo tempo, não há muito a se fazer, já que no mundo de hoje poucas pessoas aceitariam ajuda para se levantar, por um medo quase instintivo de que o auxiliador seja na verdade um ladrão disfarçado de bom samaritano.
Antes de se levantar, é mais provável que o autor da queda se preocupe em ter absoluta certeza de que ninguém está rindo dele. Afinal, pior do que qualquer arranhão ou deslocamento de ossos é a vergonha de ser alvo de alguma risada abafada. Ah, sim, qualquer um estaria mais disposto a enfrentar filas na farmácia ou até no hospital, do que a enfrentar um olhar debochado de alguma criança desconhecida. Sim, porque as crianças que estiverem por perto provavelmente ainda não terão sido alertadas sobre a grande crueldade que é rir de alguém que cai na rua.
Pois esta que lhe fala não teve ainda a oportunidade de escorregar em bananas invisíveis na calçada nem no asfalto. Ainda não cometi essa gafe absurda. Mas acho que, se um dia acontecer-me um acidente assim, não ficarei muito orgulhosa para colocá-lo em uma crônica. Talvez valha mais a pena esquecê-lo por uns dias e, depois de uma semana ou duas, contar apenas para os familiares próximos em uma mesa de almoço do domingo.
E queira perdoar-me o leitor pelas minhas contradições: se no início do texto afirmava que tombos na rua são um mau assunto para crônicas, aqui lhe apresento um texto sobre tal assunto. Pois é. Escritores são distraídos; prometo tratar de algum assunto menos irrelevante ou constrangedor da próxima vez.
Olá Bia!
ResponderExcluirEm relação ao que venha ser uma melodia redonda,podemos entender que seja uma música onde a harmonia, a melodia e sua letra são felizes, formam um casamento perfeito. Especificamente a melodia, você pode fazer um teste que se não for 100% confiável, será 99%: Você consegue assobiar essa canção com leveza,graça e certa elegância? Se sim pronto, é uma melodia redonda, acertada, com potencial.
Abraços e parabéns por seu blog!